Avó Maria



Hoje o dia foi muito positivo, e assim a transbordar de felicidade resolvi que seria o momento perfeito para recordar uma pessoa que me continua a inspirar!

Sempre achei que a minha avó era uma sábia, não tinha muitos estudos ou livros, não trabalhou no estrangeiro e praticamente nunca viajou, a sabedoria que ela trazia consigo e que me transmitiu sempre, veio da grandeza de ter vivido a sua vida com a maior e mais pura das simplicidades.

Talvez hoje, porque resolvemos enveredar por esta estrada do desperdício zero ainda veja com maior nitidez que ela efetivamente sempre viveu muito melhor do que qualquer um dos filhos e de que qualquer um dos netos.

Os dias eram passados no campo, ao ar livre, em contacto com os animais e a natureza, a comida, semeada, acarinhada e colhida pelas suas mãos. Para a roupa, cabelo e corpo servia o mesmo tipo de sabão natural sólido.

Esta sábia vivia ao sabor do levantar e pôr do sol, o relógio nunca a pressionou a andar mais depressa, a adiar um encontro ou a ter menos tempo para quem quer que fosse. Era uma sábia que tinha e oferecia o seu tempo, uma pessoa que gostava de falar e de ouvir, que estava verdadeiramente presente.

E por falar em presente, na sua cozinha havia sempre a bolacha maria para todos os netos, do mais pequeno ao maior, não havia sítio no mundo onde a bolacha maria soubesse melhor. Da minha querida avó recebiamos muito mais do que presentes, recebiamos momentos, que agora recordamos com afeto.

Na sua cozinha não havia plástico, os restos de comida serviam para dar aos animais e para os campos, o papel servia para acender a lareira, ou melhor "para ligar o lume". A roupa era lavada apenas quando necessário e muitas vezes à mão, estendida ao sol e se algo se estragasse costurava-se, remendava-se ou inventava-se qualquer coisa. Cada coisa tinha uma grande importância e valor, "expremia-se" cada objeto e cada alimento até este deixar de existir condignamente! Hoje temos muito e temos tudo. Hoje temos tudo, prendemo-nos e perdemo-nos com nada. Somos prisioneiros das coisas, dos nossos pertences.

Hoje a fugacidade dos dias e o stress roubam-nos aquilo que de mais precioso temos. É um ciclo vicioso e um estado de embriaguez coletiva constante.

Um dia também eu quero experênciar o estilo de vida da minha sábia avó, voltarei às raízes! Quero viver no campo e do campo, quero ter tempo de viver em consonância com a natureza, ter tempo para os amigos e família, aprender coisas que sempre quis, mas para as quais nunca encontrei o tal "tempo". Quero poder transmitir estes valores ao meu filho e acompanhar o seu crescimento bem de perto sem perder "aqueles momentos".

Estou convencida que a vida consiste nisto mesmo, não em termos e acumularmos coisas, mas na simplicidade e qualidade de vida e relações humanas.

E tudo isto para vos dizer que estou muito contente por estarmos a conseguir pouco a pouco atingir os nossos objetivos, e que a cada passo que damos, recordo-me sempre da forma tão bonita como a minha queria avó vivia! Como eu gostava e ainda gosto desta mulher!

Hoje foi dia de homenagem à avó Maria Julia!

#avóMaria #Vidasimples #Vidadocampo #voltaràsraízes

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